O longa de Darren Aronofsky foi indicado a três categorias na principal premiação do cinema deste ano

Fonte: Pedro Garcia – R7

Um apartamento simples no meio dos Estados Unidos. Esse é o cenário para um dos filmes mais comoventes que concorre ao Oscar 2023. A Baleia, dirigido por Darren Aronofsky, conta a história de um homem com mais de 300 kg nos últimos dias de vida, Charlie, interpretado por Brendan Fraser – indicado à estatueta de Melhor Ator e que retorna às telonas após um hiato de dez anos.

Confinado dentro de casa e com medo de ser visto por pessoas estranhas, Charlie é um professor de escrita criativa que dá aulas online, mas sem ligar a câmera para falar com os alunos. A única pessoa que entra no apartamento é a melhor amiga dele, Liz, papel que rendeu a Hong Chau a indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Em um primeiro momento, o filme pode parecer uma dramatização de reality shows sobre perda de peso e pessoas com obesidade mórbida. Esse pode ser, inclusive, um dos motivos que levou o filme a ser considerado gordofóbico por parte do público. Mas basta continuar atento na história para ver que A Baleia é mais que essa simplificação e vai muito além de apenas mostrar os sofrimentos de uma pessoa obesa.

O longa segue uma linha comum nos filmes de Aronofsky, mostra o sofrimento humano e faz com o que o público confronte as próprias questões, insatisfações e tristezas. No decorrer da história, descobrimos as causas para o personagem de Fraser viver nessa realidade e nos deparamos com questões práticas no mundo contemporâneo, como o preconceito e a desigualdade social, mas também somos levados para questionamentos filosóficos e psicológicos, com questões que envolvem culpa, vergonha, rancor e outros sentimentos comum a todos.

E no mergulho na vida de Charlie que a beleza do filme se revela e a atuação de Brendan Fraser é fundamental para que esse resultado seja alcançado. O ator passou por um processo impecável de caracterização para viver o personagem, tanto que o filme concorre na categoria de Melhor Maquiagem e Cabelo, mas o mergulho do ator no personagem não se resume apenas a isso.

Fraser, que também enfrentou problemas de saúde mental nos últimos anos, encarna os diversos sentimentos vivenciados por Charlie ao longo do filme. Da vergonha por ser visto por pessoas estranhas, passando pelo medo de encarar a morte próxima e chegando na felicidade de reencontrar a filha adolescente que não via há anos, interpretada por Sadie Sink, o ator deixa nítida essas sensações apenas com o olhar e muitas vezes sem nem se levantar do sofá.

Um dos grandes acertos de A Baleia é com o elenco. Hong Chau tem um tempo relativamente curto de tela e conseguiu desenvolver uma personagem densa e que traz o lado de debates racionais para um filme extremamente emotivo. Também vale destacar a atuação de Sink, muito conhecida pela série Stranger Things, e o quão é bom assisti-la em uma produção com uma história mais madura e densa.

Com uma combinação de atuações excelentes e uma história ao mesmo tempo chocante e sensível, A Baleia é um filme que convida o público ao questionamento das próprias escolhas, enquanto nos confronta com emoções das quais muitas vezes queremos escapar.

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