Obra será exibida nesta terça (23), a partir das 20h45, no Cine Jardins, em Vitória, também contando com apresentações musicais e vendas de livros relacionados à artista

Fonte: Gustavo Cheluje – HZ

Eterna “Madrinha do Samba”, Beth Carvalho tinha uma voz inconfundível e presença cênica única, capaz de nos hipnotizar, especialmente quando entoava clássicos como “Folhas Secas”, de Nelson Cavaquinho, e “As Rosas Não Falam”, de Cartola. Sambista raiz, e uma das precursoras do pagode, além de potente ativista política na luta contra a extrema-direita, a artista nos deixou em 2019, vítima de uma infecção generalizada. Seu samba, apesar de exaltar a força da cultura popular, tinha potencial revolucionário. “Ter alegria é ser resistente”, dizia a cantora, sem cessar, até seus últimos dias.

Um pouco dessa saudade e do vazio que Beth deixou no coração dos fãs pode ser preenchida com o documentário “Andança”, de Pedro Bronz, que terá pré-estreia no Cine Jardins, em Vitória, nesta terça (23), com sessão às 20h45 e ingressos a R$ 10. Certamente, teremos uma noite marcada pela emoção.

O encontro será tributo à carioca mangueirense e botafoguense “roxa”. Além da exibição do filme, haverá, a partir das 19h, performances de Cecitonio Coelho, Rodrigo Nogueira, Lara Cheluje e Micheli Montalvão, trazendo músicas da sambista.

Leonardo Bruno, que assina o roteiro do longa ao lado de Bronz, também virá à Vitória, tanto para apresentar o filme como para lançar dois livros que versam sobre a trajetória de Beth: “Canto das Rainhas”, que também aborda a carreira de ícones como Alcione, Clara Nunes, Dona Ivone Lara e Elza Soares, e “Beth Carvalho: De Pé no Chão”, que retrata tanto o LP de mesmo nome como o surgimento do pagode carioca, nos anos 1970.

Apresentações devidamente feitas, vamos ao “Andança – Os Encontro e as Memórias de Beth Carvalho”, um documentário que vem emocionando o Brasil com salas cheias em quase 20 semanas em cartaz, feito raro para um circuito comercial acostumado a valorizar mais super-heróis, Vin Diesel pilotando carros cada vez mais furiosos e guerras estelares.

Pedro Bronz propõe um documentário fora dos padrões (talvez por isso o motivo de tanto encantamento), especialmente porque os registros vistos em tela fazem parte de um rico acervo de mais de 2 mil horas de gravações feitas pela própria Beth Carvalho. Um olhar intimista de artista sobre sua obra e vida. Não há depoimentos programados, cortes abruptos ou pessoas “olhando para tela”. Não há didatismo, mas sim uma mulher repleta de talento mostrando-se dona de sua própria história.

“É um filme de encontros de Beth com seus companheiros de música e de vida. Por isso a experiência de assistir a ‘Andança’ é tão imersiva”, aponta Leonardo Bruno, em entrevista a “HZ”.

“As pessoas cantam e vibram como se estivessem em um show de Beth, além de conhecerem momentos muito íntimos, como suas viagens, a gravidez da filha Luana Carvalho – que acompanhou todo o processo de pós-produção e cedeu o material para a equipe – e os bastidores dos encontros da cantora com amigos, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e tantos outros que foram decisivos em sua trajetória”, adianta.

Entre as várias passagens captadas e exibidas em “Andança”, Leonardo Bruno destaca o momento gravado em som por Beth Carvalho em que Cartola apresenta, pela primeira vez, os sambas “As Rosas Não Falam” e “O Mundo é um Moinho”. Assim nasceram dois dos maiores clássicos da música popular brasileira.

“Cartola dizia serem duas músicas inéditas e as apresentava. Há outro momento especial, quando Nelson Cavaquinho mostra ‘Folhas Secas’ em sua versão original. Pouco depois, mudou a letra para Beth gravar”, rememora, sem esconder a emoção. Outro momento tocante é o encontro de Carvalho com Fidel Castro, um “date” marcado por humor e admiração mútua.

Bruno conta que o processo de produção de “Andança” durou cerca de quatro anos e que a artista carioca estava empolgada com o documentário. “Chegamos a entrevistá-la no hospital um pouco antes dela falecer. Sua maior felicidade é que o público, finalmente, poderia conferir esse material que ela gravou durante tantos anos. Tudo no filme foi captado pelo olhar de Beth, exceto seu último show, em 2018, na Marina da Glória (Rio)”, explica o roteirista.

Leonardo confirma que, após a bem sucedida carreira nos cinemas, “Andança” deve chegar ao mercado de streaming nos próximos meses, via Video On Demand (VOD). “Também temos uma parceria com a Globo Filmes. Algum canal da emissora deve exibi-lo futuramente. O importante é que o documentário seja assistido pelo maior número possível de pessoas. Esse era um dos desejos da artista”, complementa.

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