Fonte: Cláudio Gabriel – UOL

A história de Lola no longa “Lola e o Mar” pode ser comparada à de muitos jovens transexuais. Interpretada pela atriz Mya Bollaers, ela tem o apoio muito forte de sua mãe na transição, enquanto estuda para ser assistente de veterinária e vive com seu amigo Samir (Sami Outalbali, de “Sex Education”). No entanto, quando a figura materna acaba morrendo, precisa enfrentar de frente o pai Phillipe (Benoît Magimel), que nunca a aceitou como mulher trans. O problema é que os dois, por uma confusão sobre as cinzas da mãe, embarcam numa viagem até o mar do norte na Bélgica.

Em entrevista a Splash, Mya, a protagonista, que também é uma mulher trans, conta que o filme também pode ser visto sob uma ótica de famílias em processos de luto. É o seu primeiro trabalho como atriz. “As emoções e sentimentos não têm gênero porque são universais”, destaca.

“Lola e o Mar” é uma produção melancólica, mas que se transforma no decorrer dos acontecimentos. Inicialmente, vemos Lola com uma personalidade muito forte para o enfrentamento do mundo que a rejeita — ela chega a quebrar uma vidraça, por exemplo. No entanto, aos poucos, começa a tentar entender tudo que passou com a família, especialmente durante a viagem com o pai. Os dois acabam tendo um contato que nunca haviam tido anteriormente. Em meio a críticas constantes de tramas LGBTQIA+ no cinema sempre sendo tristes, Bollaers concorda. Para ela, “no momento são importantes porque é um grupo sub-representado. Talvez em um futuro não precisemos fazer isso”.

A atriz também comentou o que falta para atores e atrizes trans ganharem mais espaço na indústria cinematográfica. De acordo com ela, é preciso “paciência e coragem”.

“Lola e o Mar” foi escrito e dirigido por Laurent Micheli. O longa chegou a ser indicado ao Prêmio César, uma espécie de Oscar do cinema francês, em 2020. Ele apareceu na categoria de Melhor Filme Internacional. A obra ganhou destaque em outros prêmios, como no Magritte, a grande premiação do cinema belga. Nele, apareceu em sete categorias, vencendo em Melhor Atriz Promissora (Mya Bollaers) e Melhor Design de Produção. A obra chegou a aparecer na categoria principal, mas perdeu para “Instinto Materno”, de Olivier Masset-Depasse. Esse filme ganhará uma refilmagem americana com Jessica Chastain e Anne Hathaway.

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